12.7.09

Um mundo inteiro

Do cume da montanha a gente vê o que passou. A gente vê pra quê serviu. A gente vê o que quer, o que deseja e se organiza pra conseguir.

Do cume da montanha a gente vê que a vida se faz aos pés. Aos pés da rocha, com pés humanos, pra que se torne rocha, pra que se torne humano.

A gente sobe até o pico, corajosamente encara o todo proporcionado pela altitude, e depois, corajosamente também, desce tudo de novo pra se fazer montanha.

Com visão clara. Com visão de mundo, porque mundo quer dizer limpo.

8.7.09

Não sou eu teia de aranha que faz grudar em si aquilo que resta de qualquer coisa, mas tudo o que resta insiste em grudar.
Talvez tenha eu esse colo normalmente disponível e palavras e jeito e risos e cheiro que lembram almofada velha, aconchegante, conhecida, acolhedora.
Até que um dia, aquilo que resta de qualquer coisa percebe que é hora de caminhar, de encontrar novos caminhos, de fazer a vida acontecer.
E é tanta explicação, tanta consideração, tanto medo de ofuscar o colo, as palavras e jeito e risos e cheiro que, se eu fosse mesmo a aranha dona de minha própria teia, engoliria um por um.
Não teci teia orquestrada pela vida para prender ninguém. Se tenho forças pra tecer é pela promessa de expansão, só havendo espaço para quem deseja expandir comigo, e não para quem está acomodado no colo, palavras, jeito e risos e cheiro.


Pois que não sou aranha de porcelana.

5.7.09

Impressões I

Apareceu. Apareceu como quem, de tão diferente, não consegue passar despercebido.
Apareceu modificando conceitos, trazendo pouco entendimento e muito sentimento - coisa que atrai aquele que gosta de uma vida com desafios.
E eu, tão esperta e sagaz ao lidar com desafios de ordem prática, paraliso diante de tanta emoção.
Uma entrega paralisada que de tanta imobilidade, concentra-se e explode por inteiro no interior.

1.7.09

Ativando a parte feminina do cérebro.

Depois de preto com estrelas, preto sem estrelas e da cor de merda, o Explode! agora é cor-de-rosa. Suas novas estrelas foram pintadas por mim, numa ferramenta super-moderna-e-profissional chamada Paint.

Não consegui escapar do verde-limão nos títulos: rosa com verde (limão) é uma combinação tão brega e carnavalesca quanto eu.

Pra quem não sabe, encaixar as estrelas no quadrado que delimita o espaço do título foi extremamente difícil. Por sinal, uma incoerência isso de fechar o verbo explodir rodeado de estrelas num quadrado padrão.

E mais uma observação importantíssima: para qualquer um as minhas "estrelas" são só borrões com o spray do Paint. Mas para mim, são estrelas reprimidas pelo quadrado-padrão e pela escassez de cores. Mas nada que um verde (limão) não salve.

(O título tem a ver com um teste que fiz por aí recentemente: eu tenho um cérebro misto, o que quer dizer que metade de mim é masculina e a outra metade feminina. Um cérebro hermafrodita, eu diria).

28.6.09

Aprendendo a falar.

Bobice é uma dessas palavras que empolgam pela sonoridade.
Bobice é modo delicado de dizer bobeira e besteira que, de tanta eira, não convencem.
Rima com ice o que talvez eu sentisse, tudo aquilo que porventura existisse.
Um monte de "se", um monte de subjuntivo no isse que rima com ice.

É jeito de criança falar.
Inspira jeito moleque, arteiro, ingênuo.
Lembra as tentativas teimosas de subir mais alto na árvore.
Lembra o sorvete sujando a boca, o nariz, a roupa.

Inspira bombom. Mas o porquê eu não sei.
Huuum. Brigadeiro de panela com queimadura na língua. Uma bobice isso.

E lembra tanta coisa boa, que de tanta bobice dentro de mim, eu não sou capaz de parar de escrever.

6.6.09

Dedique-se!

É na viagem de ida para o trabalho que os pensamentos inundam a minha vida. Dizem que é necessário separarmos 20 minutos do nosso dia para pensarmos na vida, pois eu separo, involuntariamente, duas horas. Deve ser por isso que os meus pensamentos acabam virando letras.
Pois que eu estava pensando sobre todas as coisas que eu quero realizar e todo o trabalho que eu terei entre o projeto e a realização. Eram pensamentos de virada de ano. Desse pensamento, surgiu uma contemplação instintiva das aves que sobrevoam a ponte Rio-Niterói. Elas me parecem grandes e fortes, determinadas no rumo escolhido.
A união de todos esses pensamentos, não lembro por qual caminho, levou-me à palavra dedicação.
Defini que dedicar-se é realizar com intensidade. Digo com vontade, força, paixão - são essas coisas que caracterizam o que é intenso. Lidar com nossas obrigações como lidamos com os seres que amamos, é dedicar-se. Ter consciência de que isso tudo é história de vida e ter amor a isso, é dedicar-se. Abrir mão de algo para alcançar um objetivo, é dedicar-se.
Dedicar o tempo. Dedicar a vida. Dedicar-se. Escrever dedicatória. Tudo isso expressa movimento que realiza com intensidade.
Gostei disso.

31.5.09

"É vantajoso fazer uso de um barco vazio"

Na beira de um grande rio, avistei um barco. Apesar do movimento das águas, ele estava ali parado, sem laço. Era barco de força maior do que a força que tem a água.
Era disponível, localizado de forma que quem quisesse poderia entrar, mas ninguém se arriscava: era estranho um barco parado sem laço.
Normalmente, quem precisava atravessar o rio, nem cogitava o uso do barco. Ou optava por ficar onde estava, desistindo da travessia, ou enfrentava o curso agitado, turbulento do rio.
Desde que avistei esse barco, tenho observado essa movimentação. Não desisti da travessia, nem optei por nadar. Mas estou aqui, com a bunda na terra molhada, sentindo o sol clareando a visão das coisas. Estou me preparando para usar a embarcação. Já decidi que quero caminhos novos e meios novos para caminhá-los. Só não entrei no barco ainda, porque como ele, que tem força para ficar parado em ambiente movimentado, quero estar certa do melhor caminho.